outubro 03, 2015

Abrir o sinal


É meio de semana, as coisas andam meio monótonas e a ausência das palavras me sufoca. Estou regulando cada letra para que nada escape, não posso deixar que as coisas simplesmente vazem. Consegui mantê-las sobre controle durante estes últimos meses. Vez ou outra, em uma noite difícil, foi impossível impedir que seguissem teu caminho. Mas foram poucas vezes, juro. Deve ter visto meus rastros nas madrugadas, as pegadas na varanda da tua casa, o bilhete no correio, o sussurro na alma. E hoje eu queria gravar cada palavra dessa no caminho que percorro dentro de você, deixar gravado no seu coração aquelas palavras que jamais disse, mas são suas. Somos. As palavras sempre foram e eu também. 
O caminho está cada vez mais esburacado, não sei quem anda passeando pelas tuas ruas, mas há problema. As nossas estradas já não são mais facilmente acessíveis e sinto que agora há câmeras e sinaleiros demais. Ninguém precisa saber dos momentos em que busco você e ultrapasso todos os limites. Sejam metafóricos ou literais, a velocidade é alta e confesso que às vezes não estou completamente sóbria de mim. Não é preciso álcool, essa visão embaçada são das lágrimas que caem sem que eu perceba, e a voz um tanto quanto enrolada é a minha falta de jeito com tudo isso. Porque mesmo percorrendo esse caminho por anos ainda é difícil não me deixar levar. E novamente, eu queria que isso fosse literal.
Me leva nessa tua estrada, não me deixe plantada mais uma vez em um acostamento esperando algum sinal. Normalmente tem estado amarelo, e eu nunca entendi muito bem sua função. Essa espera para um vermelho ou verde me dilacera, mesmo sabendo que sou eu que estou ali apertando a troca de cores. Ainda não pude apertar um vermelho e talvez nunca seja capaz. Posso controlar minhas palavras, apagar certos registros, mas jamais desistir do teu caminho. E mesmo que no fundo anseie ardentemente por um verde, percorrendo uma estrada tranquila até o nosso destino, há o tempo interferindo na nossa equação. Ele precisa ainda percorrer um pouco mais nesse gráfico, ou sabe-se lá o nome que tenha. Deixo pra você corrigir um dia, o texto tá no teu correio. Porque essa foi mais uma noite que te procurei, percorri todos os buracos dessa estrada, só para buscar um pouco de você. 
Preciso regularmente alimentar-me da esperança de um dia o sinal verde aparecer e finalmente percorrermos tantos outros caminhos. Sem freios, sem multas, sem vigilantes.

Que saudade daqui.   

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