setembro 08, 2015

Bilhete


         Esse é mais um bilhete que eu queria deixar na porta da geladeira, colado no teu guarda-roupa ou no espelho do banheiro. Porque você precisa ler. É a minha angústia descrita em poucas linhas, desgovernadas e sem nexo. É o meu medo de tudo que me engole e digere. É a ausência fazendo presença em todo lugar. E talvez isso seja de uma música ou poema, mas isso é apenas um bilhete então, por favor, aceite. 
         Leia como quem ouve a minha voz chorosa de sempre, falando entre soluços, com palavras engolidas e frases pela metade. Porque eu nunca sei contar o que se passa. Eu não sei deixar explícito o que me dói. A vida me dói tantas vezes. A cada fôlego uma pontada. A expiração é um tormento. A inspiração ainda mais. Porque o mundo pesa. O mundo caiu nos meus ombros e, querido, não consigo sozinha. Preciso da sua força. 
         Acende a luz, olha pra mim. Mas me veja realmente e não apenas me enxergue. Repara nos danos e cicatrizes que o mundo causou. Os ombros já roxos, a coluna torta, a cabeça confusa. Porque são tantas pessoas, tantos lugares. O mundo é grande demais, e eu sou apenas uma menina que a Janis Joplin uma vez cantou. Sabe, a little girl blue. E eu vou contar meus dedos mais uma vez, contar e recontar as minhas tristezas e dificuldades. Mas eu preciso que você segure minha mão. Eu preciso da sua força em cada número. Em cada fase. 
          Era para ser apenas um bilhete, mas você sabe como sou. Eu não consigo. Não tem dois pontos que explique o que me dói, atormenta e dilacera. Não tem ponto que finalize minha angústia. Mas eu queria que tivesse você em cada vírgula. Então, por favor, não esquece esse bilhete. Tá na sua casa, tá no seu quarto, tá em você. 
Eu estou. 
Sempre. 


Com excessos,
sempre sua.

2 mini memórias:

Eu nunca sei escrever só um bilhete, assim como não sei pensar em uma só coisa ou falar uma só palavra. Eu sou excessos também e é um tormento, algumas vezes mais forte que em outros momentos, que realmente me faz ter que pedir para ele segurar minha mão e me olhar, de verdade. Esse texto me define tanto tanto tanto atualmente, nem sei o que comentar exatamente. Obrigada pelas palavras compartilhadas <3

Beijos
Lara,

Parabéns por esse texto. Melhor, bilhete.

Postar um comentário