agosto 10, 2015

Presa


Eu tô com uma saudade danada disso tudo que me corrompe, me descreve e me entorpece. Da falta de correções e das abundâncias de digressões entre linhas e pontos. De ignorar estes comentários corretores das minhas ideias. De pular espaços desnecessários. De encurtar períodos por puro prazer. De alongar aqueles que nem deveriam existir por pura diversão. De rir. De contar aqui repetidamente das noites difíceis que tenho tido, das mesmas falácias aos travesseiros e as mesmas músicas a tocar repetidamente.
Não quero discorrer sobre meus dias. E foi engraçado essa última sentença porque na realidade havia escrito que de fato queria. Mas o fato mesmo é que não quero. Não quero repetir aqui a inércia da semana, a felicidade calculada das sextas, sábados e domingos, o cansaço do mês e a ânsia para o novo ano. Que venha tudo novo, de novo, e logo. Porque o relógio corre enquanto permaneço aqui. Parada. Tic tac. Ainda aqui. Tic tac. Meu deus, se foram quase vinte anos! 
Quero agora, de fato, desvendar a angústia entalada no meu peito que sufoca diariamente. Dessa vontade de partir, de chegar, de desvendar-se. De descobrir-se. Onde fui parar? Onde me escondi no meio dessa rotina que me engoliu? Já não existo sem regular os horários, sem os despertadores, sem as anotações de trabalhos para fazer. A semana não passa de um check in de tarefas, o mês não deixa de ser um acumulador de pontos para o fim do bimestre que, deus, não chega. O que sou além disso? No que me tornei?
Esse é um texto sem sentido, sem reflexões maduras, sem amor. Porque até o amor escondeu-se naqueles dias pré calculados. E não que eu não goste, não que não queira, na verdade quero muito. Quem dera eu pudesse ter todos os dias como os tais calculados. Mas aí viraria rotina. E o que eu mais gosto disso tudo é que não é. De rotina já basta o trabalho, a faculdade, a tortura diária de viver. Deixa para os finais de semana a falta de horário, o compromissão não marcado, aquele tédio bom dos domingos, o viver dividido em dois.
Não houve releituras, não há uma correção da paragrafação ou do léxico. Me limito a deixar aqui todo o meu cansaço como desculpa da ausência. E a minha saudade, a eterna companheira dos meus dias, minha saudade interminável de deixar-me descrita aqui. 


Saudade de escrever. Saudade do blog. Saudade de viver fora de metas e prazos.
Eu volto, juro. 

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