julho 23, 2015

Nosso filme


Eu vou te contar aqui um segredo que guardo como quem guarda um pedaço de si. É muito mais que um tesouro e muito menos que ouro. É muito mais de mim do que de você. Mas a culpa continua sendo sua da mesma forma, porque não há mais nada que prenda essas palavras aqui dentro e me impeçam de divulgar essas coisas todas. E eu não devia, meu Deus, como eu não devia estar escrevendo nada disso. Não que não mereças, não que seja proibido, mas é tão particularmente meu que me dói abrir assim as lacunas de dentro.
E hoje eu te confesso todo o meu medo do que é isso, do que está sendo essa coisa toda que não teve nome até poucos meses. Mas já se foram anos, e meu bem, eu nunca lidei muito bem com longas durações. É como se tudo que existisse pra mim tivesse seu prazo de validade antes dos 12 meses, sabe? A gente se renova e eu acabo levando em todos os sentidos esse negócio de mudanças. Mas dessa vez passou. Tava calculando aqui nossas contas, e já vão fazer quase dois anos. Talvez nem seja muito, talvez eu esteja apenas assustada e receosa com finais que nem chegaram. 
E esse é o meu medo. Eu trago o fim pra tudo antes do "the end". Os créditos nem subiram e eu já tô querendo pular para a tela preta, seguir o próximo roteiro, elencar novos personagens. Só que dessa vez eu queria que a gente filmasse uma saga, que seja de três a sete filmes no mínimo. Com mais ou menos duas vidas de duração cada um. Porque eu não queria ter que ver nenhum crédito no fim dessa história, e muito menos recomeçar uma nova.
Essa segue um roteiro próprio. Nunca precisei escrever de fato uma linha, pois já parecia escrito em alguma linha do destino e a gente só segue. E eu quero seguir ainda muitas milhas nessa tua estrada. Sem pressa, deixa o carro parado aí e a gente continua caminhando para alongar ainda mais o nosso caminho. Porque eu quero detalhar cada rua, cidade e parada com você. Te contar os detalhes de mim, como quem conta uma história em terceira pessoa, pra você não entender de início que isso é sobre eu e você. E meu medo de estar de fato aproveitando demais a nossa jornada. 

23.

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