outubro 17, 2014

Quase



O número nove nunca foi de grande importância, pra mim sempre foi um quase. Quase dez. Dezenove, quase vinte. Vinte e nove, quase trinta. Não é um número em si, é uma transição. O nove é a ponte que me leva para a segunda década, e talvez não esteja assim tão bem estruturada para que eu possa atravessar. Há alguns buracos pelo caminho, certos suportes ainda não se firmaram nesse chão de terra roxa, e eu espero que ainda não se firmem porque é preciso seguir em frente. Que me leve não somente para uma nova década, mas para um novo mundo, porque esse não me encaixa mais.
E em resumo deste ano, digo que foi algo fora de encaixe. Perdi uma parte que me deixava conectada, mesmo que não tão fixamente, com outras pessoas e lugares. Hoje não consigo mais. O tal do nove veio e destruiu essas estruturas que uniam as peças, tornou-as muito imprevisíveis e resolvi desligar-me. Descobri que a vida continua apesar de estar assim, leve, livre, vazia. O eco que passa entre a minha alma entoa uma canção bonita nos fins de tarde, mesmo que não haja mais todas aquelas risadas de antes. Mas, porém, contudo, todavia, há novas estruturas que se moldaram sem que reparasse, e me deixaram assim, presa há alguns outros. Novos encaixes, novas peças, e as estruturas novas que se formaram em mim me desconfiguraram um pouco e me trouxeram para o que sou hoje. Um quase. Seguindo em frente para um novo tempo. E que venha, que venha. 
Porque eu ainda continuo a ser aquela menininha que busca o futuro como o pirata que espera pelo seu baú de moedas de ouro. E que cada moeda minha seja uma conquista, um sonho, que ainda não chegou. Estão todos presos em mim, assim como alguns sentimentos e segredos. Não saiam, não se espalhem por aí e me desconfigurem ainda mais. Hoje é "quase" o meu aniversário, e eu queria matar a saudade do que fui nos últimos anos. Não há arrependimentos grotescos, nem mesmo satisfações tão grandes assim, mas ainda há alguma coisa. Sempre deve haver alguma coisa que valha a pena. Estou pesquisando ainda quais são essas tais coisas, é um quase. 
E com esse nove que veio mergulho nessa ponte que quase me leva para algum lugar novo, mas ainda não. Deixo-me levar por esse vendaval de informações que quase me formam, mas ainda não. Deito-me nestes braços quase me sufocam, mas ainda me deixam escapar. Escrevo neste bloco que quase me liberta, mas ainda me prende em parágrafos e pontos finais. Estou vivendo em reticências, a gente sabe que há algo para vir, mas ainda não veio. Está quase. A tal da luz no fim do túnel tá ali, eu vejo uma iluminação muito distante, mas ainda não é tão visível. Mas está quase, quase. Que venha os 19, buscando os 20! 

Ainda não é dia 18, mas tá quase. 
Parabéns pra mim! :)

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