dezembro 10, 2013

Frequência


And you make me so mad I ask myself "Why I'm still here, or where could I go?"*

Estou numa overdose de Gabito Nunes e seus romances modernos. A Juliete que nunca mais apareceu nas páginas, talvez tenha aparecido mais uma vez no seu apartamento. Ou te encontrado naquele corredor, vai saber. Mas ela não vai te contar das matérias difíceis daquela área de humanas que ela estuda, porque a sua Juliete não tem graça nenhuma. Ela não vai te ensinar gírias ridículas e nem te contar do último livro que leu. Muito menos comentar daquela música velha que tocou e ela sabia a letra, autor, ano e álbum. Ah, porque a sua Juliete de hoje não tem graça nenhuma. E nunca mais nenhuma outra terá aquele humor ácido que te consumia. E consome, caro colega, eu sei que ainda deve consumir. Até porque você continua se derretendo entre meus passos, mesmo que arda, ainda está lá para ouvir mais uma das minhas piadas corrosivas. São sempre sobre você, é claro, porque a graça do momento é você. Independentemente do sentido que essa frase possa trazer, tem vários, e infelizmente, todos se encaixam. 
Não sei porque escolher um nome feio como esse, essa terminação "ete" me remete tanto a piriguete, empreguete, e todos esses termos chulos. Se bem que se nome fosse algo que definisse mesmo alguma coisa, esse texto nunca existira. Desculpa por mais essa piada boba, era uma coisa que sempre quis dizer. E vivia dizendo. Mas o título se encaixa, a gente troca a Juliete e coloca você, porque você também, nunca mais. Nunca mais você, nunca mais Juliete, nunca mais textos como esse. Texto este, que, vamos combinar, não tá com nada. Você também não. Meu humor não consegue ser tão irônico quanto o do Santiago, até porque a acidez vive corroendo-me, e corroendo-te, e corroendo-nos. E assim nos corrói tanto que precisamos nos unir mais uma vez só pra que não haja algum desastre mundial, porque a sua base se liga com o meu ácido e isso deve dar algo bem interessante, que agora eu já não lembro mais o nome da reação, mas sei que a gente reagiu bem. Quem sabe não seja tão bem assim, já que o laboratório quase explodiu de novo com esse encontro de opostos. 
Mas eu nem sei química e tô aqui tentando colocá-la em metáforas. E nem metáforas sei fazer. Porque química nunca foi lá minha matéria preferida, muito menos você. Na verdade você é aquela matéria que dá vontade de ouvir vez o outra, quem sabe num intervalo entre outras mais importantes. Não precisa de material porque não existe essas coisas de apostilas pra você, não tem manual e nem alguma lista de regras possíveis. E eu, menina dos manuais, que já tive até um manual de como ter um manual, me vejo sem chão enquanto deixo-me corroer nessas nossas brechas. Mas as outras matérias começaram a sufocar e os intervalos tomaram uma frequência diferente de todas que já (ou)vira. Não era AM nem FM, não tinha radialista contando o próximo programa, não tinha as 10 mais tocadas da semana, a música tocava simplesmente. Sem ninguém apresentando ninguém, sem despedidas ou um "até a próxima terça, no mesmo horário", porque também nunca tinha horários certos. A mesma música podia tocar na quinta a noite, na terça de manhã ou no domingo a tarde. E quem poderia saber? Ah, meu amigo, ninguém sabia. Nem mesmo a gente.
A sua Juliete deu os canos, então aposto que não era Juliete nenhuma, porque a do Santiago foi para outro país e era riquíssima, a sua aposto que continua aí te olhando com desdém. E eu, mesmo nunca tendo a visto, já imagino aquele tipinho típico de pseudo-Juliete. Com um apelido nojento de Juli, Juju, ou um simples Ju que causa enjoos, te embrulhando o estômago e te fazendo querer voltar desintegrando-se no meu caminho ácido. E você volta. Volta sempre porque Juliete nenhuma vai ter uma ausência de palavras tão falantes dentro de um olhar, porque talvez nenhuma outra seja assim, tão não Juliete. E eu, tão não Juliete assim, te faço querer voltar e ficar mais um tempo. O tempo está acabando, você sabe, mas dessa vez pode ficar mais um pouco. Conta mais uma daquelas suas piadas extremamente ruins, e ignora esse meu riso meio pra dentro, porque eu não queria estar rindo dessa sua cara de besta. Mas tô aqui, mais uma vez, deixando os sorrisos escaparem. A música começou a tocar um ritmo diferente, o radialista continua mudo, não disse nada se amanhã no mesmo horário teremos essa mesma, se fora a última da noite ou se acabara de começar. Ninguém sabe a nossa frequência. 

O rádio ligou agora e tocou aquela do Engenheiros: "e a música parou, parou!" sabe? E parou mesmo. 

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