dezembro 26, 2013

Desisto


And I am feeling so small, it was over my head. I know nothing at all.*

Dessa vez não tem textos de despedidas, falatórios, e bobeiradas todas que vem sempre junto com o acender das luzes de natal. Não tem toda essa coisa de agradecer os presentes de embalagens bonitas, de magoar aqueles que se escondem atrás dessas tais papéis coloridos, de me enganar mais uma vez com as falácias que já não são mais clássicas, porque a gramática desse texto tá me internalizando (ou eternalizando?) trazendo todas as coisas daqui de dentro. Talvez seja a última vez que abro esse bloco com um calendário terminado em 13. Lá se foi mais um. Eu fui mais uma vez, me revirei nesses meses, corri pelos dias, escorreguei em algumas semanas e agora estanco em um ano. Passou. Passei. Passaremos ainda mais uma vez. Porque a vida não para agora, não parou lá naquele sexta feira à noite, regada de lágrimas, não parou naquela despedida, não parou naquele grito dito sem pensar. Continua. É isso. 
A vida sempre continua. E a gente segue junto, mesmo que doa, mesmo que já não dê para caminhar, ela nos arrasta para mais uma estrada que te digo, talvez doa ainda mais do que a anterior, traga mais obstáculos e te derrube no chão mais uma vez. Mas você levanta, e desliza por essas semanas como eu fiz. Vamos, só mais uma. Talvez o sol volte amanhã. E ele pode mesmo ter voltado algumas vezes, outras não. Porque a estação chuvosa foi difícil esse ano, teve aquele frio terrível de congelar corações. O meu ainda não derreteu mesmo com os frequentes 30ºC. Melhor assim. Calminho, quietinho, meu. Mas pra que falar de coração se já tocam os sinos? Ouve só essa música, tá tocando agora, deixa que ela te leve. Isso aí meu amigo, isso que vem nascendo em você agora, é esperança. Vai recomeçar. O ano, a semana, você. 
A música cantou agora "diga alguma coisa, eu vou desistir de você". Tô desistindo de mim de hoje em diante. Deixa pro outro ano. É tão bobo dizer isso, todo ano você diz, mas hoje tô dizendo de novo. Porque dá um ânimo maior deixar tudo para um ano par. Vai ser 14. Já serão dois anos do ano doce. Saudades. O 13 trouxe tempos amargos demais. Se eu disser que acredito no azar do 13 o clichê estará completo, mas não acredito. Acredito no azar nos ímpares. A gente quando muito ímpar dá sempre errado. O um é sozinho, o três é complicado. Dá uma saudade de viver em dois. Ano que vem trará quatro, seremos então um grupo de amigos. Porque agora a gente sabe, aquela música lá onde diz que não dá pra se passar por essa vida sozinho, é pura verdade. A gente tenta, olha, como tenta. Tentei uma, duas, seis... E falhei. A cada domingo doía ali, e aqui, e agora. E doeu assim tanto que eu vi que não dá pra passar por essa vida sem alguém do lado. Não dá pra guardar a piada do livro só pra gente. Não dá pra deixar de comentar do dia. O bloco de notas não soube rir comigo quando eu caí, nem me deu conselhos bons para responder aquela mensagem. 
Então é isso, tô aqui dizendo adeus. Não é de você, não é da escrita, é um tchau pra mim. Um tchau bem longo, com aquele aceno que continua mesmo depois de metros. Porque vou sentir minha falta. Eu sempre sinto falta de tudo. Meu iceberg está derretendo e os sentimentos me arrebatam com força. Adeus para uma eu que não soube lidar com as pessoas, adeus para uma eu que acabou se perdendo numa rua sem saída, adeus para uma eu que saiu de mim e foi se aventurar sem cinto de segurança. A gente sempre se machuca um pouco. Mas também tô aqui com os olhos meio cheios, porque tem uma eu que vai ser triste dar adeus. Aquela eu que foi e riu sem ter vergonha naquele lugar público, aquela que soube escolher as palavras certas e dizê-las em voz alta, não mais para um bloco, mas para um par de olhos tristes e culpados. Uma eu que foi forte nas horas mais difíceis e escondeu as lágrimas naquele banheiro sujo. Parabéns eu, você, acima de tudo, ficou comigo. Não desisti de mim. Nem naquele domingo que não veio ninguém, que teve só eu comigo mesmo e um filme qualquer de romance. Minha grande fuga. A gente finge que chora da história, mas na verdade tá chorando da gente mesmo. "É por causa do filme, não liga não". Liga sim. Liga pra mim, ainda dá tempo, o ano novo ainda não começou mas você pode me dizer um alô qualquer hora. Porque a saudade é a mesma, cê sabe. Sempre foi. E por mais que a música esteja cantando sem parar para desistir, é difícil demais. Te levo comigo mais uma vez, para mais esse ano, cê sabe. É sempre assim. 
O fim está próximo, é hora de finalizar. Fechar os parágrafos que ficaram abertos nesse tempo, riscar certas vírgulas para que haja mais movimento, acrescentar alguns travessões para que os diálogos durem mais, retirar tantas reticências e acrescentar certas ações: um beijo de despedida, um abraço apertado, um pedido de desculpas sussurrado. A página vai vir em branco e você tem todas as cores do mundo para colorir, todas as letras e pontuações para criar o seu roteiro. Vou começar agora, mas antes, só deixa eu terminar aqui as notas de rodapé. Desculpe, fugi à regra, terão sim falácias. Obrigada vocês todos que me leram mais uma vez, sofreram comigo, choraram comigo, nunca foi tão bom dividir minhas saudades. Obrigada a cada um que passou pela minha vida e acrescentou alguma coisa. E um adeus doído para aqueles que ficaram nesse ano, que não voltam num sábado ou em um domingo para passar o dia. Obrigada também à você, que me ajudou a lidar comigo. Agora não é mais preciso entrelinhas, posso ser direta e dizer que fica tudo tão mais fácil. E difícil também. Lidar comigo nunca foi fácil, vocês que tentaram que o diga, então um obrigada também. Obrigada você por não ter desistido mesmo eu nunca tendo dito nada, sempre tão moradora de mim, tão receosa de te dizer alguma coisa ridícula e te perder, obrigada por continuar. Pois então que todos nós continuemos, tem mais um ano. Mais histórias. Mais blocos. Mais eus que virão e retornarão e se reformarão. 2014, te aguardo com alegria e esperança. 

Despedidas são sempre doídas.
Vejo vocês ano que vem. 

0 mini memórias:

Postar um comentário