setembro 24, 2013

Regresso


Me deixa sentir tua mão, me promete que vai voltar pra nunca mais...*

Infelizmente não foi o seu, foi o meu. A garotinha dos anos atrás que ficava horas a te procurar voltou. A menina que rabiscava anagramas com as letras do teu nome hoje risca canções para você nos rodapés. As músicas voltaram a falar de saudade e gritar que eu sinto sim, muito, e mesmo que não queira os sentimentos acabam aparecendo sempre. Mas são sempre seus. É sempre você que é a base comparativa entre as tais opções. E os que não se encaixam nem ao menos com o brilho branco dos seus olhos, fica assim, meio de lado. E todo mundo diz que ele é que deveria brilhar mais, e não brilha. Não tem você. E sem você, um tiquinho que seja, não tem graça nenhuma. Se não tem aquele teu jeito descontraído de andar, as piadinhas de sempre, os assuntos aleatórios e o jeito de me olhar, não vale a pena. Mas há alguém que valha? Você valeu? Eu? O tal do sentimento vale alguma coisa? Vale umas boas cicatrizes, vale o regresso das noites de lágrimas, a playlist repetitiva com as músicas de sempre e a saudade. Ah, mas a saudade vale? Não vale nada! 
O regresso foi também da menina que não sabia lidar com a vida, aquela que o futuro parecia maravilhoso enquanto o presente um grande desastre. Onde estão as pistas para se chegar ao final do labirinto? Onde encontro a chave que abre esse baú que me escondo? O avião ainda demora para decolar? E quanto mais os dias passam, mais longe o futuro fica. O regresso trouxe o passado, de todas maneiras que isso possa ser entendido, e hoje fico aqui tentando lidar com esses tempos. Mas professor, dá pra conjugar um verbo nos três tempos? Eu sei que há mais do que três, mas me deixa com esses que a gramática não tá sendo amiga nesses últimos dias. Só me responde, tem como? O verbo que eu tava querendo ver se ainda se encaixa naquelas tabelas dos verbos é "sentir", pois já não sei se ele anda se encaixando comigo. Não se adequam nas colunas e foge das linhas. Que eu sinta, que ele sentia. Ops. Não era assim. Não é pra ser assim. Mas como é? E se ele não sentir? Ah, maldito subjuntivo. 
Os sonhos me parecem cada vez mais distantes. Me vejo lutando entre lençóis, correndo num espaço infinito de uma cama de solteiro tentando chegar a lugar nenhum. E cada vez se torna mais distante, o sono acaba faltando alguns metros para a linha de chegada. Já acordada, os sonhos da vida também voam. Hoje vejo ao longe pontinhos que brilham, tão distantes que quase não distinguo um do outro. A esperança se distancia, já não há mais aquele sentimento que me habitava de um dia acordar e ver a torre Eiffel da minha janela, ou caminhar pela rua e ouvir um "see you later, baby" entre um casal. Ver meu nome estampado na capa de um livro se tornou palavra esquecida. E a vida vai perdendo o brilho. O regresso da falta de esperança. O regresso da falta de você. O regresso da falta de mim. 
Mas eu ainda quero, ah, como quero, me reencontrar. Esperava que no meio de tantos regressos um desses viesse com a minha força que perdi por aí. São tantas coisas acontecendo, tantas palavras que me rodeiam que acho que perdi ela entre um livro ou alguém. Talvez também possa estar perdida em mim. Porque já não reconheço o corpo que habito, não reconheço esses pensamentos que me invadem e me tornam assim, mais pra dentro de mim. Só me falta o título de "Dom" para que Bentinho se encaixasse comigo. Mas não há traições duvidosas nas páginas da minha história, os mistérios se revelam aos olhos do leitor. Há alguém preso aqui nas minhas palavras? Há, querido leitor, um alguém que regressaria? Há alguém por quem espere? Há alguém aqui, além dessa pseudo escritora de textos confusos? Aguardo o meu regresso. E o teu também, porque você voltou comigo daquele tempo turbulento. Que ambos regressemos em nossas melhores formas. 

Tem gente que diz que escrever alivia, talvez eu precise escrever mais.

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