setembro 13, 2013

Marcas de pétalas


This is the last song that I write while you're even on my mind.*

As pessoas dizem tanto sobre os caminhos que devemos seguir, qual direção escolher quando há a encruzilhada, e te digo que há várias, caro colega. Já encontrei três só no decorrer desse mês. E se pudesse voltar talvez cometesse os mesmos "erros". Ou diria acertos? Ninguém sabe se o caminho da esquerda não seria rodeado de espinhos tanto quanto. Espinhos, pedras, troncos, há tantos desafios que já pensei em voltar. Mas olhando para trás a mata é fechada, parece até que nunca caminhei por ali. Meu passado já não existe, mas parece cada vez mais perto. Já sinto alguns galhos me tocarem se fico muito tempo parada pensando no que fazer. E enfim, o que fazer afinal? Quero acampar aqui, na primeira encruzilhada desse mês que mal começara. Esticar o colchão que carrego na mochila e repousar a luz das estrelas, quem sabe elas me tragam o mapa que procuro. 
Os dias passam e continuo adiando minha escolha, tento voltar, abrir novos caminhos, mas parece que não há outra opção. Ou é A ou B. É direita ou esquerda. Justo eu, que até hoje tenho que fazer aquela pausa para descobrir qual mesmo é a esquerda, me vejo lotada dessas escolhas. Esquerda, porque é a mão que escrevo, mas quem sabe isso esteja me dando azar, pois já não aguento mais escrever e escrever e escrever e não pontuar nunca. O ponto final tarda e não chega, me loto de reticências e interrogações que recolho em cada esquina. Onde afinal encontro a exclamação que me grite a resposta? Há um final? Tantas questões, tantas frases não acabadas...
Quem segue o caminho com obstáculos deve estar atento as possíveis quedas, e eu não previ nenhuma das tantas. Só que as últimas torceram meu tornozelo e me deixaram agora com um pé sempre atrás. Os trocadilhos não estão adequados, mas eu também nunca estive. Afinal, nunca gostei muito dessa história de floresta e caminhar a longo prazo sem fones de ouvido me chateia. Mas como dizem, na vida nem tudo são flores, e há tempos que sinto falta de flores pelo caminho. Vez ou outra vejo uma pequena e murcha jogada ao pé da estrada. Usada. Gasta. Pisada. Há tantas pessoas assim que a gente encontra. Pessoas que têm a marca do tênis do fulano cravado no rosto, outras meio tortas pela queda, outras que já nem exalam perfume algum. Tenho medo que me pisem, me usem, me deixem assim jogada entre uma rua qualquer. Por isso nunca me deixo ficar, se eu ficar, talvez ninguém nunca me encontre mais. Talvez eu jamais me encontre.
Não sou flor, a delicadeza de tantas não se adequa a mim, não exalo perfumes tão doces, só algumas fragrâncias compradas, meu toque não é tão macio quanto de uma pétala, eu não sei ser de ninguém a ponto de me ver jogada no chão e ainda tentar parecer bela. Ser bela. O que é ser belo para você? Minha professora de filosofia me perguntou isso uma vez e fiquei me sentindo constrangida por pensar no menino da sala ao lado, porque a beleza dele jamais foi bela. Belo é essa flor que brilha vigorosa ainda presa em seu caule. Que ainda tem um mundo só seu sem que alguém tenha lhe usado. Belas são todas aquelas pessoas que sabem se doar e se recompor com a mesma intensidade. Belos são todos esses, e não sou eu. Porque não tenho conseguido me reerguer desde o último tombo, tem sido difícil e talvez já comece aparentar certas marcas. 
O dia da escolha está chegando, mais uma. O estômago voltou a doer, a cabeça parece carregar toneladas e minhas pernas tremem. O que fazer? Ei, você, me ajuda. Me adota aqui e me leva pro teu caminho, porque já não sei se consigo seguir o meu sozinha. Me diz que posso acompanhar seu passo para o sul, norte, leste ou oeste. Eu vou para onde você for. Só me tira dessa encruzilhada, me livra dessas escolhas, esconde essa minha pseudo marca que já gravaram em mim. E peço que me ajude a nunca mais tentar ser flor. Não deixa que ninguém me leve por um elogio ou dois. Não deixa moço, por favor. Mesmo que eu queira, que diga que é bobagem que eu sei me virar, não sei. Nunca soube lidar com coisa alguma, muito menos com esses sorrisos ilusórios. Eu sou a criança boba que acredita que o mágico tira mesmo um coelho da cartola, que ele realmente tinha boas intenções e não pretendia ter feito aquilo ou isso. Me leva, mas não deixe que me levem.

Que essa marca seja a primeira e única, e que passe, assim como tantas outras.

Um comentário:

Gilstéfany Oliveira disse...

"Não sou flor, a delicadeza de tantas não se adequa a mim, não exalo perfumes tão doces, só algumas fragrâncias compradas, meu toque não é tão macio quanto de uma pétala, eu não sei ser de ninguém a ponto de me ver jogada no chão e ainda tentar parecer bela. Ser bela. [...] Belas são todas aquelas pessoas que sabem se doar e se recompor com a mesma intensidade." Bonito o texto :)