julho 11, 2014

Aos quinze


Há 15 anos atrás, em um dia frio de julho, nascia uma garotinha em um quarto de hospital numa cidade pequena no interior do Paraná. 

É difícil começar a descrever o que é essa relação. Seria clichê eu dizer que é sanguínea, porque realmente é. O sangue O positivo que corre nas minhas veias deságua nas tuas. Também não posso dizer do físico, pois os meus fios de cabelos castanhos se desenrolam e prendem-se em você. Seus olhos castanhos, mesmo que mais escuros, são reflexos dos meus. Quando o teu pé esquerdo calça um sapato, o meu direito completa o par. O desenho dos teus traços vieram dos rascunhos dos meus. Somos clones que nasceram em datas diferentes, e hoje em dia chamam isso de "irmão". Mas talvez esse termo seja biológico demais para este texto. Irmão remete a algo estritamente familiar: viemos do mesmo pai e da mesma mãe, temos os mesmos avós, muitos primos e tios e tias. Mas e o resto?
Não existe termo que explique aquelas noites em que não tinha muita gente pra conversar e eu acabei te contando mais uma vez aquela história. Nada explica o fato das nossas frases se completarem vez ou outra, como se você percorresse minha mente e eu adivinhasse seus passos seguintes. O termo também não traz a fórmula mágica para reconciliações após mil e uma brigas diárias. Nem muito menos consegue descrever a liberdade que existe entre nós. Simplesmente ainda não adicionaram ao dicionário alguma palavra que fosse capaz de trazer todas essas sensações em letras. É possível? A genética explica essas nossas características físicas, mas a psicologia ainda deixa certas lacunas quanto à essas ligações. 
E lá se foram 15 anos. É estranho pensar que passara quase minha vida inteira ao teu lado. Diariamente crescemos, amadurecemos, e aprendemos, juntas. Mesmo que eu às vezes prefira ficar sozinha a ouvir mais uma das suas mil perguntas sobre algum assunto já discutido. Ou você prefira fazer qualquer outra coisa a ouvir mais algum piadinha imbecil que eu conte. Porque na maioria das vezes elas nem tem graça mesmo. A gente aprende a ser sozinha junto. Porque na verdade, quem tem irmão jamais está só. E essa é uma daquelas grandes verdades do universo, que poderia estar estampado em algum site de clichês, porque ter um irmão é saber que por mais destruído que esteja, por mais que sua vida esteja desmoronando, há sempre uma mãozinha ali para te puxar para cima. E a sua mão, ainda com furinhos da infância, eu sei que quero alcançar sempre que cair. 
Como um pedido de fim de texto, quero que a partir de hoje não mude. Não comece a pensar diferente. Não deixe que o mundo te absorva e transforme. Quero sim que cresça, que amadureça. Mas que não perca nunca essa risada engraçada que mesmo não tendo graça nenhuma faz com que todos acabem rindo. Não perca, completamente, essa inocência que brilha nos teus olhos de criança aos 15. Continue a falar essas suas "pérolas", quem sabe um dia lidas por muitas meninas de quinze, dezesseis ou mais. Não digo que se pudesse te trancaria em uma bolha para que nada te machuque, porque sei o quanto é necessário que a gente aprenda a viver. Só quero que saiba que quando o mundo pesar muito, divide a carga comigo. Quando os dias parecerem cinzas demais, te ajudo a colorir. Se cair, te levanto. Somos um só. O nosso laço é eterno. 

Parabéns Julia Oliveira! 

Um comentário:

Dilly Monnete disse...

Tenho quatro irmãos, três mais novos, sei bem o que é isso. É indescritível.
<3
Parabéns à Julia.

dillymonnete.blogspot.com