outubro 18, 2013

18 em 18


Take what you need and be on your way. And stop crying your heart out.*

Depois de 18 anos me encontro agora aqui, mais uma noite me ponho a escrever essas memórias. Ah, memórias. Mas por que? Por que gravar na pele essa palavra que diz tão pouco? Porque diz tão pouco, mas diz tanto de mim. Esse mim que entre 18 anos anda vagando entre memórias aleatórias que atravessam estados, casas, escolas, empresas. Pessoas. Principalmente, memórias que trazem as pessoas que se foram, que ficaram, que estão aqui mas já não são presentes. Memórias. Que saudade. Tão pequenina, essas 8 letras que me trazem meus 18. Não apenas anos, mas alguns dezoitos de histórias para serem contadas, alguns dezoitos erros e outros tantos dezoitos acertos. Dezoito. Dez e oito. Depois ainda me pergunto porque é que números pares sempre me remetem a coisas boas. Eu sou par. Nasci par e tento viver como ímpar por esses anos. Especialmente esse ano vivo na constante briga entre par e ímpar, o 13 traz a minha vontade de ser ímpar e o coração que é sempre 18 grita que o par jamais perde. Assim a luta continua durante os trezentos e sessenta e tantos dias. Mas ano que vem é 14, só que sou 19. Eu, tão humana, me vejo nessa eterna confusão de números pares e ímpares. Enfim, sou mesmo é letra! 
Sou essas letras que se amarram e se desprendem e acham que podem ficar. E ficam. E eu deixo. Letras, vírgulas, em excesso, e tantas e tantas interrogações. Porque sou feita de questões a serem respondidas. Me desculpe você que tentou decifrar-me, mas saiba que eu ainda carrego alguns dezoitos de dúvidas. Por que ser letra? Por que não se contentar em um dezoito apenas? Porque dezoito é dez e oito, e são dois. Duas palavras que unidas formam uma data. A minha. E esse negócio de juntar letras é interessante, mexe comigo. A gente junta uma letra aqui e ali e já tem uma palavra tão bonita, tem aquelas oito que formam memórias, tem aquelas tantas que formam aquela frase bonita daquela música. E tem as tantas que se unem naquelas páginas amareladas do livro da traição da cigana oblíqua que me prende tanto. E tem essas aqui, gravadas nesse bloco tentando trazer o signicado de uma data. Com as letras eu tento descrever um número. Com esse número eu trago as letras. Somos assim uma mistura de exatas e humanas. Sou assim a confusão de ímpar querendo ser par, par tentando ser ímpar, exata se explicando com as humanas. 
Hoje não é só mais um dia desse mês bonito que é outubro, e ao mesmo tempo não deixa de ser apenas mais um número nesse teu calendário velho de geladeira. Mas pra mim, ah, meu caro, esse dia diz muito. Sim, um número que fala. E ele fala bastante. Conta tantas histórias. Me fala de uma vida lá num estado de cima, com uma vida tão diferente da de hoje. Me fala dos sonhos em ser médica para honrar a data, das paixões pela biologia e seus nomes esquisitos que hoje passeiam pela minha memória, contam das paixões perdidas por aí, dos medos e da grande luta. Da vontade tão grande de me aceitar e de conseguir isso. Relembra do reflexo do espelho mostrando alguém que já não sente repulsa da sua própria aparência, alguém que sabe se enxergar sem medo. Mas que em segredo ainda guarda esses receios todos pra si. Tantos e tantos dezoitos lotados de segredos nunca revelados. E outros tantos já expostos nesses muitos dezoitos de texto, cartas e contos. Tantos medos que ainda se escondem embaixo da coberta, com medo de que alguém um dia os descubra e os use contra mim. Por favor, deixa a luz apagada porque eu tenho medo da claridade dos fatos, da exposição da figura. Não tente desvendar cada poro, a graça está justamente aí, nas entrelinhas de mim. 
Mas enfim, dezoito. A idade que todos falam e que não fundo não passa de mais uma das tantas. É a mesma história dos quinze, foi e passou. Não houve primeira paixões aos quinze anos, não houve eu te amo dito da boca pra fora por algum menininho espinhento. Não sigo essas ordem dos fatos. Não sigo o manual que a vida traz. E eu, a amante da rotina, me vejo fora dos eixos. Me sinto dando voltas nessas dezoito estradas percorridas. Será que tem como adiantar o passo? Será que essa de agora é mais florida? As pedras sempre vem, e dá um medo tão grande de não conseguir pular, superar, lidar. Porque eu nunca sei lidar com nada. E já me apareceram tantas pedras pra lidar. Talvez você me diga que a estrada ainda é pequena, os metros foram tão poucos que me renderam apenas alguns quilômetros, mas sinto um cansaço de alguém que já está perto dos 38, 58, 118. Mas passa, eu sei que passa. É só dezoito, e ainda tem muitos oitos, e alguns dez para atravessar. E atravessaremos. E venceremos mais uma pedra. E lidaremos com mais algum desvio. E viveremos. Eu e os meus dezoito. Meus muitos dezoitos que me acompanharão de hoje pra sempre. Até a eternidade estaremos nesse oito infinito. 

Parabéns pra mim! 

Um comentário:

Lara Guimarães disse...

Xará, vc me encanta ><