junho 11, 2013

Tudo o que já foi dito


Após inúmeras tentativas falhas de parar aqui nessa folha em branco, retorno com a música no tema de sempre e para completar uma noite chuvosa. Tem sempre algo que diz para parar por aqui, que as palavras são cruéis e perversas e dizem demais. Essa coisa toda de conotação que envolve os textos nos (a)trai. As palavras aqui dizem que está chovendo, mas já interprete você que talvez eu chore num parágrafo ou outro. As gotas dessa chuva fria talvez escorrerão pelo meu rosto, ou ficarão engolidas por mais uma semana. A temperatura caiu, o quarto está escuro e a música faz ritmo com o barulho da chuva. Mas essas são coisas tão banais que escrevo só para adiar a minha vontade de falar sobre você. Mais uma vez. Aquela antiga era para ser a última, mas aí vem essa vontade tão grande de te fazer presente que só as palavras te desenham. Te procuro em todos os cantos e só te acho aqui. Porque se tornou uma marca registrada ter que te marcar em algum lugar. Marcado em mim você sempre esteve. 
Hoje repito o clichê de falar que a sua ausência se faz presente. Que já não é mais novidade nenhuma que meus dias, mesmo lotados, se tornam vazios por não terem um pingo de você. Os compromissos da agenda repetem que tenho hora marcada com a saudade. E bem pontual vem ela transformando minhas noites em sonhos teus, meus pensamentos em lembranças tuas e elas se transforma assim em memórias que dormem comigo. Com isso, nasce aquela vontade de te chamar aonde quer que esteja só para te ver chegando mais uma vez. Mais uma vez. Só mais uma. E dessa vez não haveria despedidas, nada de choros engolidos no minuto da partida, nem lágrimas engolidas pelo travesseiro. Dessa vez seria uma eterna chegada, e a partida só seria se estivéssemos indo para o mesmo lado. Nada mais desse negócio de norte e sul, a passagem nos leva para o leste. Tem o pronome nós escondido aí no meio dessa frase. Tem outro escondido em cada frase que escrevo. 
Tinha a ideia de escrever sobre despedidas, mas a saudade sempre se sobressai. A vontade é de repetir tudo que já foi dito, só para ver se diminui essa vontade de te trazer pra mim de novo. Transformar todos os eventos de um dia corrido em uma tarde no parque em que meu maior trabalho seria contabilizar a ordem das tuas pintas e a forma como sua respiração vacila numa leitura e outra. Preocupar-me com a minha risada estranha ao ouvir suas falácias e minhas bochechas coradas. Mas acabo sempre aqui, gritando em textos que há vestígios teus a cada passo, palavra e lágrima. Que tem um pouquinho de você escrito ali e aqui, numa música dali e de lá, num amor de agora e o de depois. E em mim sempre.  

E mais uma vez repito tudo o que já foi dito, talvez porque me faltem palavras. E me sobrem saudades.