fevereiro 20, 2013

Se...




Se um dia eu não quiser mais te ver, por favor não se afaste. Plante-se na porta, na janela, na varanda de casa, mas não vá embora. Toque a campainha mesmo sabendo que eu não vou aparecer, diga um olá como todos os dias e assobie daquele jeito que era só seu. Não mude a rotina, tente entrar sempre as seis, porque era a hora que chegava do trabalho. Diga que o quintal está lindo e que minhas flores nunca estiveram tão vivas. Diga que elas são lindas iguais a mim, porque era algo que sempre dizia. Eu tô aqui dentro, tô na janela da esquerda da sala escondida te espiando. Você sabe disso e traz o rádio para perto só pra que toque aquela nossa música preferida. Uma música tão bonita, parece até que eu já ouvira antes.
Se um dia eu não quiser mais falar com você, por favor não se cale. Se nem ouvires minha voz respondendo que não pode entrar, que casa está trancada e que na próxima vez chamarei a polícia, não desiste. Não deixe de continuar a contar do seu trabalho, mesmo já fazendo tanto tempo. Não deixe de cantar pra mim aquela música de sempre na janela. Continue falando das flores, que são lindas, mesmo que talvez já não haja mais flores e nem seja eu quem esteja cuidando. Porque não vou mais para fora, os dias se resumem nessa grande casa branca de cortinas azuis. A nossa casa que hoje não me lembra você. Minha voz tá guardada aqui atrás dessa porta, escondida também na janela, querendo sair mas com medo do sol, do meu sol que sempre fora você e hoje brilha tão longe... 
Se um dia eu não lembrar mais de você, se as nossas memórias forem se apagando com o tempo, por favor fique e me ajude a lembrá-las uma por uma. Relate os nossos risos tímidos daquela primeira vez, dos meus olhares para o chão enquanto você tocava uma melodia qualquer só pra tentar me impressionar. Fale do meu sorriso sempre presente quando você estava, dos meus olhos cheios de vida quando te tinha. Conta, mesmo que doa, de como doeu em você e em mim os anos que vieram. Se um dia eu não lembrar mais da dor da saudade, por favor não tente fazer com que tenha de sofrê-la novamente para lembrá-la. Só diz que doeu, que as noites sempre eram gélidas mesmo no verão e no inverno ainda piores. Fala dos teus sonhos comigo durante todos os meses, das cartas que nunca chegaram, dos nossos pedidos para as estrelas e dos meus textos pra você. Não esquece deles, diz que haviam vários e todos tinham teu nome entre uma linha e outra. 
Antes de mais nada, só quero que saiba que não houve um dia em que deixei de sentir essa palpitação mais forte ao ouvir seu assobio na porta tentando entrar mais uma vez na nossa casa. Não houve um dia em que não fechei os olhos para sentir a nossa música que tocou no rádio no primeiro dia que me beijara. Não houve um dia que você não esteve nos meus sonhos, jovem e com cabelos desarrumados, chegando no portão da minha casa para um reencontro que acontecera á tantos anos atrás. Se um dia eu já não acordar mais, espero te encontrar ao meu lado aonde quer que esteja, só pra ouvir você falar das flores. Eram tão bonitas, amarelas. Agora me lembro.

Um texto inspirado no filme "The Notebook" que é maravilhoso e me apaixonei quando assisti. 

Ps: Oi gente, estou cursando Letras. Alguém aí cursa ou tem vontade? Talvez poste menos, não sei ainda como será minha rotina, mas juro que não desisto daqui, haha.

3 comentários:

Ana Beatriz T. Frederico disse...

Adorei! Tanto esse post como o blog inteiro, já estou seguindo...Passa lá no meu blog e dÊ a sua opinião também. Bjs!
http://eraumavez-anabeatriz.blogspot.com.br/

Ana Beatriz T. Frederico disse...

Adorei! Tanto a postagem quanto o blog inteiro, já estou seguindo... Se quiser passa lá no meu e dê a sua opinião.
http://eraumavez-anabeatriz.blogspot.com.br/
BJs!!!

Melissa Espínola disse...

Que lindo seu texto, mais uma vez estou aqui pra ter um pedacinho de casa, prq é assim que me sinto quando leio teus textos, confortável! Um dia ainda quero ler um livro teu.

Obs.:Parabéns pela aprovação em Letras, é um sonho que ainda tenho pra realizar, na época que passei não pude cursar, boa sorte, me disseram que era um curso apaixonante e com ritmo de estudo muito puxado.bj