janeiro 06, 2011

O filme do minuto

      Penso na minha vida como se ela fosse um filme, não sei bem o tema ainda, é uma boa dose de cada. E esse filme as vezes tende a ficar repetindo, e repetindo na minha mente, naquele bendito minuto antes de pegar no sono. Sabe, aquele que você pensa no que devia ter falado pra ele, no que falou demais, no gesto que devia ter feito, na conversa que poderia ter puxado, da iniciativa que podia ter dado... Ah, sinceramente, eu odeio essa parte. Tenho vontade de simplesmente desmaiar e ir direto pra parte dos sonhos, pra não ter essa maldita nostalgia. 
      Quando mais eu fujo, mais me aparece. E noite passada foi ela quis me relembrar os am(d)ores. Se é que me entende. Lembrou daquele mais bobinho, o primeiro lá, que foi embora e ensinou que o amor também rima com dor. Me lembrou o primeiro beijo, com todo o receio e tudo mais, me lembrou o primeiro toque de mãos, e por fim, me lembrou o primeiro fim. Aquela lágrima de alguns anos atrás já estava se formando. 
      Tentei mudar o foco, pensei nas aulas, no livro que li, mas o bendito filme queria rodar, e eu tinha que assistir. Um a um foram passando, cada parte bonitinha, cada abraço, cada beijo, cada briga, cada fim. E foi assim, que eu chorei. A lágrima caiu, escorreu, mas foram apenas duas. Enfim, eram apenas memórias. Não merecia mais do que isso.
      Não era o fim do filme, mas era o fim da minha paciência. Deite-me, fechei os olhos com força, e respirei fundo. Escutava cada mínimo ruído: um carro ao longe se divertindo acelerando nas ruas, um inseto em algum lugar no canto da minha janela, uma coruja na quadra de baixo, e o ar nos meus pulmões. Que entre, que invada tudo, vá até o coração e limpe toda essa mágoa que ele guarda, invada o cérebro também, varra todos esses filmes, principalmente essa recentemente utilizado. E ar, que traga pra mim um amor. Sem dor. Por favor.

Texto dedicado para Bia, porque graças a sua dica foi que consegui escrevê-lo.

Espero que gostem do texto! Bom, estou indo viajar essa semana (não tenho certeza ainda, mas acho que vou mesmo) mas continuarei postando normalmente. Vou pra Balneário Camburiu, alguém conhece? Acha legal? Beijos!

18 comentários:

Bia Oliveira :) disse...

aawn Lara, sério, esse ficou muito lindo e obrigada pela dedicatória 'rs
fazia um tempinho já que eu não vinha aqui (mil desculpas) e o layout está perfeito *-*
já vi várias fotos de lá e parece ser lindo. minha avó vai ir pra lá esses dias e se tivesse espaço no carro eu ia com ela pra te ver, mas não tem D:
beijos Lara <3

@yasmin_vizeu disse...

nesse filme somos parecidas. O meu filme insistia em querer ser assistido todas as noites, e eu era a unica que podia assisti-lo. É frustrante e doloroso :/
adorei, texto lindo *-*

:*

Vini Manfio disse...

não quero desanimar mas
amor sem nenhuma dor, acho, se não impossível, ao menos improvável

também porque
o amor se fortalece quando dores, decepções e coisas ruins passadas são superadas


acho que o filme passar na sua mente antes de dormir é a prova de que você busca melhorar, crescer
caso contrário não ficaria refazendo cenas...

isso é bom

bella disse...

Bom, eu gosto muito de Balneário Camboriú, mas sou sou suspeita pq adoro Santa Catarina.
Sobre o texto...sabe que adorei a analogia com filme? Muito legal. E o texto está lindo, claro e simples, ao mesmo tempo que intenso e complexo. Gastei. Mas acho difícil o ar te levar um amor sem dor. Tenho pra mim que eles não existem...

L.C. disse...

Nossa, maravilhoso o seu texto!
Chorei junto e me arrepiei a cada linda que eu lia!
muito bom mesmo, totalmente verdadeiro, sentimental, parabens!

beijos

cecilia disse...

Há muito tempo escrevi que a vida é um grande filme e só depende de nós,porém esqueci que as vezes não é a gente que estraga o filme e sim os outros.
As vezes é preciso se chorar e um dia um amor não vai rimar com dor.
A propósito amigos meus dizem que Balneário Camburiu é lindo!
Beijo e boa viagem

Amanda Arrais disse...

Engraçado que sempre penso na minha vida como um seriado, mas não tenho parado muito pra assistir aos episódios, tenho preferido construir novos. Espero que a tua impaciência faça tu fazeres o mesmo,é bem mais divertido.


=*

Vera disse...

Tá lindo mesmo lara, parabéns. E continue *-*
Tem vezes que paramos e pensamos que a nossa vida é um filme, né? Acontece isso comigo também.
«Tenho vontade de simplesmente desmaiar e ir direto pra parte dos sonhos, pra não ter essa maldita nostalgia. »
Para mim já virou rotina. Já virou rotina relembrar todas noites o filme da minha vida. Pensar no que poderia ter feito, ter dito, ter perguntado, ter evitado. E custa-me a adormecer, porque não consigo mesmo deixar de pensar nisso.

E ar, que traga pra mim um amor. Sem dor. Por favor.

dear sarah disse...

Se foi um filme, sempre ficará guardado em você.
Assista-o se for preciso para rever sua história!

Gabriela Furtado disse...

E nem adiante tentar livrar-se deste filme: é inevitável...e cofesso, mesmo doloroso não saberia viver sem ele.
beijos

Jeniffer Yara disse...

Claro que gostei do texto.
Tenho minha vida como um filme também,e que ás vezes insiste em querer passar sem eu ao menos querer.
Também quero um amor,e sem dor.

Ah divirta-se no balneário o/

Beijos

Taís Ribeiro disse...

seu texto ficou maravilhoso como todos os outros *-* eu me pego todas as noites pensando em coisas que aconteceram comigo, principalmente as inacreditáveis de 2010, mas é inevitável.
beeijos Lara ;*

Luiza disse...

um amor sem dor, por favor, e rápido. minha vida é meio filme, tem terror, drama, tem comédia e vai ter fim. mas tem coisas que terminam antes da hora, ou antes do que a gente quer. mas se terminam, tem seus motivos. que novas histórias venham pra ti guria. beijos

Carolyne Mota disse...

Guria, quanto mais leio teus textos mais impressionada fico! Tens um jeito muito interessante de escrever, e descreves tão facilmente coisas tão difíceis de pôr pra fora.
Amei esse, meu favorito =)
Beijos.

. Nadine disse...

Esse filme também é o mesmo que se passa na minha cabeça, (quase) sempre.

Espero que essa mágoa seja limpada, porque um dia, ela só irar fazer mal a ele mesmo.

E que venha logo esse amor, sem dor! :]

Beijooo!

Rebeca Amaral disse...

Cada um escreve o roteiro como quiser, flor. O resultado final depende do que você semeou no passado. Temos controle sobre o filme sim, mas até dominá-lo com segurança temos que passar por produções baratas e mal feitas. Por isso pode ser complicado... Um dia a gente aprende e sei lá, pode até ganhar uma premiação por isso.

Um beijo!

Tk.* disse...

Esse é o tipo de filme que sabemos já de cor, mas que insiste em rodar sempre. Por iniciativa própria. Até que um dia encontremos o controle remoto que o guie na nossa vontade.
É lindo esse lugar. Aproveite, guria.

Um beijo!

Marie Raya disse...

Arrasou! Também trato minha vida como se fosse um filme e confesso que adoro intensidade. 'E ar, que traga pra mim um amor. Sem dor. Por favor.' Quero um amor também, mas sincero de preferência. Lindo como sempre, beijão :*