março 08, 2017

Quem é a mulher da sua vida?



Hoje é dia 8 de março, conhecido também como dia internacional da mulher. 
Então eu te lanço essa pergunta: 

QUEM É A MULHER DA SUA VIDA?

A mulher da vida são tantas. 
A mulher da minha vida é uma guerreira. Esse é um adjetivo clássico e batido, mas eu acho pertinente sempre. É uma mulher que criou duas filhas sozinha. A mulher que conseguiu fazer com que essas duas meninas crescessem rodeadas de amor, apesar de todos os pesares. A mulher que conseguiu fazer nascer amor próprio em meninas que cresceram ouvindo o quanto eram gordas e feias. Hoje essas meninas se olham no espelho com um sorriso no rosto. Porque a minha mãe me ajudou a acreditar que eu conseguiria emagrecer, se o meu problema fosse meu peso. Mas, principalmente, minha mãe moldou meu caráter de forma que eu não precisasse mais acreditar em bobagens que escutei e escuto. Minha mãe lutou, e luta, todos os dias comigo para ser uma mulher cada vez melhor. E você é. Seremos sempre.
A mulher da minha vida ainda é um pouco pequena, mas grande em todas as suas atitudes. Ela ainda assiste desenhos da Disney com os brilhos nos olhos de uma criança, mas tem uma alma doce de mulher adulta batalhadora. Ela está, dia após dia, lutando contra todas as barreiras da vida e vencendo. E eu tenho muito orgulho de ter plantado sementinhas em você e vê-las florescer. A mulher da minha vida ri com os olhos e bochechas (que quase não existem mais), e sorrindo segue seus dias de guerreira. Somos filhas de uma guerreira, o que mais poderíamos ser, não é mesmo? Venceremos juntas, mesmo que longe. 
A mulher da minha vida continua tendo meu sangue, e até mesmo roubei-lhe algumas características físicas que nos fazem ainda mais próximas. Ela me ensinou o que era o feminismo enquanto cozinhávamos gordices para assistirmos algum filme. Foi ela quem me fez mergulhar nesse mundo literário (e feminista) que eu não sabia que gostaria tanto. Ela me ensinou o que é ser mulher, mãe, professora, e nunca descer de um salto. Enxugamos nossas lágrimas juntas tantas vezes, compartilhando nossas inseguranças e injustiças que a vida nos trouxe (e ainda traz). Mas ela se levanta, com a cara maquiada, o perfume marcante, o cabelo sempre bonito, com um sorriso no rosto. E é por essas e outras que tenho tanto orgulho quando me dizem que somos parecidas, que sou a sua versão "mais nova". Eu sei que você vai superar essa barreira e tantas outras que virão. 
Há duas mulheres que me fizeram (e ainda fazem) mais forte durante parte da minha vida. São duas mulheres que discutem as injustiças femininas enquanto tomam sorvete. Mulheres que conseguem citar para você as leis que defendem ou oprimem as demais mulheres, e se revoltam com a justiça mal feita do nosso país. Mulheres que viajaram longe e viram situações revoltantes de meninas, e com isso criaram um sentimento de luta e esperança. Mulheres que assumem os cachos sem medo de padrões, e são ainda mais lindas por isso. Mulheres que eu tenho orgulho de chamar de amigas.
Durante a graduação encontrei algumas mulheres da minha vida. Mulheres que no meio de alguma teoria, seja linguística ou literária, conseguiam inserir a mulher em seus textos. Mulheres que eu já vi, em uma conversa com suas filhas, ensiná-las a serem "mulher" desde pequenas. Ensinando-as sempre a não se submeterem a padrões, a lutarem por seus direitos enquanto meninas, a serem empoderadas desde sempre. Mulheres que eu vi, mais de uma vez, lutando pelas mulheres com um texto xerocado durante a aula. Eu jamais achei que isso seria possível até conhecer todas vocês. Obrigada por me ensinarem que tudo isso é possível, que eu posso ser mulher, ser mãe ou não, ser solteira ou casada, e ainda assim, ser feminista. Vocês são um exemplo de mulher e profissional. 
A mulher da minha vida são todas as amigas e colegas que fiz durante o caminho. Amigas que sentam na mesa de um bar e discutem preconceitos que sofreram por fugirem dos padrões, discutem com machistas e assumem, sem medo, sua postura de mulher feminista. Amigas que nunca vi, ou conversei pouquíssimas vezes, mas que estão juntas lutando por uma sociedade mais justa. Somos todas irmãs nessa causa. Agradeço o apoio de sempre e, principalmente, os ensinamentos de todo dia. 
Eu queria dizer, por fim, que a mulher da minha vida também sou eu. Sou eu que estou todos os dias na minha pele rabiscada, no meu corpo fora de padrões, no meu corte de cabelo diferente, lutando contra todos os preconceitos e dificuldades que nós enfrentamos. Sou a mulher que se olha no espelho e luta todos os dias para se achar bonita. A mulher que se convence, dia após dia, que é suficiente, que é capaz. 

Por isso hoje, repita comigo sem medo: sou bonita, sou inteligente, sou capaz. 
(E você é. Não somente hoje, mas todos os dias). 

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